Quentinha do Dia #123 – Incêndio da Estátua de Borba Gato: a prisão de Paulo “Galo” e Géssica

Na tarde da última quarta feira, o casal Paulo e Géssica foram detidos pela Polícia Civil de São Paulo, por ordem judicial da Juíza Gabriela Marques da Silva Bertoli, que determinou a prisão temporária do casal, pela acusação de organização criminosa após a queima da estátua de Borba Gato durante as manifestações do dia 24 de julho.

Paulo “Galo” ficou bastante conhecido por ser uma das mais importantes vozes em defesa de direitos das e dos trabalhadores do setor de entregas por aplicativos. O motoboy é enfático em sua busca por justiça para a classe trabalhadora e também é convictamente antifascista. Expõe abertamente sua oposição ao projeto neoliberal de Bolsonaro e João Dória, e articulou diversas paralisações de trabalhadores de aplicativos.

O incêndio da estátua de Borba Gato foi usado como pretexto para decretar a prisão do Galo de Luta. A decisão foi interpretada por diversos movimentos sociais como perseguição e uma demonstração do Estado policialesco e autoritário que vivemos. Essa interpretação ganha força, na medida em que Géssica, a companheira de Paulo, sequer estava no ato político no dia, mas teve de surpresa sua prisão temporária também decretada pelo prazo de cinco dias acusada de associação criminosa.

A detenção de Géssica é completamente ilegal, já que o Supremo Tribunal Federal tem o entendimento que mães, com filhos  ou filhas de até 12 anos de idade, não podem ser apresadas pelo Estado, pois assim pode comprometer o bem estar da criança. Ela tem uma filha de 3 anos, situação em que, no máximo, renderia a Géssica a prisão domiciliar.