Revistas brasileiras de História – Lista de periódicos especializados em história

1. Introdução

É inegável que a produção de conhecimento histórico no Brasil vai muito além das fronteiras das Universidades, mesmo assim, ainda que produções relevantes sejam desenvolvidas em diversos outros ambientes, a possibilidade de obter reconhecimento é algo restrito a determinados círculos.

Muitos problemas estão associados a essa questão, um deles é o acesso aos espaços de produção e divulgação. Certamente, o locus por excelência da divulgação científica são as revistas especializadas de cada área do conhecimento. Nesse sentido, tais revistas são o mais alto grau de reconhecimento da relevância de uma determinada pesquisa. 

No entanto, não podemos nos esquecer que o acesso a tais periódicos reproduz a lógica de nossa sociedade e assim acaba privilegiando, por variados motivos, as práticas sociais como o racismo, o machismo, o elitismo e a homofobia. Tais aspectos merecem atenção, porém, não serão abordados nesse artigo, a proposta aqui é disponibilizar um índice das principais revistas de história brasileiras, para que a consulta sobre novos estudos e também prazos de submissões estejam à disposição de forma rápida. 

Podemos afirmar que boas experiências acontecem fora dos espaços acadêmicos, iniciativas de História Pública que crescem cada vez mais no Brasil são prova disso. Talvez o principal fator que marginaliza essas produções seja exatamente a dificuldade de acesso aos periódicos científicos. Nesse artigo vamos tentar superar apenas uma das limitações que se apresentam a quem deseja compartilhar suas pesquisas com seus pares, que é a dificuldade de encontrar revistas que ofereçam oportunidade de publicação.

2. O que é uma Revista Científica?

As Revistas científicas são publicações acadêmicas, que tem por objetivo primordial o desenvolvimento do progresso da ciência. O método científico tem como um de seus pilares o exame de nossas pesquisas por outras e outros pesquisadores. Esse exame serve não somente para atestar a validade daquela pesquisa, mas também para proporcionar novas oportunidades a partir dali; para que isso aconteça, é preciso que a pesquisa tenha divulgação e possa ser acessada pelos e pelas demais. É nesse sentido que a revista científica ocupa lugar de tamanha relevância.

A prática da troca de experiências entre pesquisadores é um costume bastante antigo, alguns de seus registros mais velhos são as discussões nas academias helênicas (de forma oral) e os registros de tratados gregos em diversas áreas como medicina, história e filosofia. Mas é no século XVII que a prática da divulgação científica vai ganhar corpo em periódicos científicos. De acordo com a Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro Palmira Marconi Valério:

O periódico científico, também popularmente denominado de revista científica, na forma como hoje se conhece é produto de um longo processo de evolução que começou com a troca de correspondência entre colegas, buscando opinião para suas investigações e opiniões, antes de lançá-las para um grupo maior. É dessa época o surgimento da primeira sociedade científica, a Royal Society, em 1662, em Londres, proveniente das reuniões para debater assuntos de Filosofia. Alguns membros dessa sociedade tinham a função de coletar informações do que acontecia no mundo, enquanto outros resumiam informações provenientes de cartas. […] As cartas acumulam-se, e o seu armazenamento torna-se problemático. São, então, organizadas em coletâneas por Henry Oldenburgem, erudito responsável pela difusão de informações na Europa e também secretário da Royal Society. Em 1665, Oldenburgem encontra a solução para o problema das cartas e edita a primeira revista inglesa: Philosophical Transaction. Simultaneamente, em Paris, ocorre o mesmo movimento e, nesse mesmo ano, Dennis de Sallo edita aquela que seria considerada a primeira revista francesa: Journal des Sçavants, que surge com a finalidade publicar notícias do que acontecia na “república das letras

3. Como mensurar a qualidade de cada periódico?

No Brasil, desde 1977 ficou instituída a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes). Essa instituição foi criada para avaliar os Programas de Pós Graduação do Brasil e os classificar de acordo com sua qualidade. Sabendo que a produção científica de cada instituição é registrada em suas publicações, a Capes decidiu não apenas contabilizar a quantidade de produções desenvolvidas por cada instituto de pesquisa, mas também classificar sua qualidade e relevância, abrindo espaço para uma análise qualitativa, sem deixar de mensurar também sua relevância quantitativa.

Para definir a relevância das publicações, a Capes desenvolveu um sistema de avaliação que compreende as notas A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C. De acordo com a Doutora em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo (USP) e professora-adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Rita de Cássia Barradas Barata:

Após praticamente um ano de intensas discussões, o CTC-ES aprovou a nova classificação contendo sete estratos: A1, A2, B1, B2, B3, B4 e B5. Há ainda um estrato C, destinado a publicações que não constituem periódicos científicos ou não atendem aos critérios mínimos estabelecidos em cada área para ser classificado. 

Podemos considerar então que:

  • A1 e A2: São periódicos de excelência internacional;
  • B1 e B2: São periódicos de excelência nacional;
  • B3, B4, e B5: São periódicos de relevância mediana;
  • C: São periódicos de baixa relevância, sendo assim, são identificados como não científicos, contudo, é muito importante a existência de tais periódicos para que a prática da produção seja fomentada desde o início da vida acadêmica.

Para conhecer a relevância de cada periódico científico no Brasil, você pode acessar  a base de dados da Capes, a Plataforma Sucupira (clique aqui).

4. Últimas considerações

As universidades e centros de pesquisa estão voltando suas atenções para a realidade, de que o ciberespaço tem alargado as fronteiras para a produção e divulgação de conhecimento científico. A internet, como bem vimos nos últimos anos, como tudo nesse mundo, tem seus benefícios e malefícios. Se por um lado a relação com a forma de conhecer mudou, por outro, a possibilidade de propagação de informações falsas ganhou dimensões jamais imaginadas.

A evolução tecnológica desse aparato nos trouxe a Web 2.0, muito mais dinâmica e interativa, o que possibilitou o explosivo sucesso das redes sociais. Essa mudança não é apenas uma diferença técnica, o que de fato nos importa são as transformações que foram causadas nas sociedades. Para Natalí Ilza Vicente:

“A web vem provocando, ao longo dos anos, grandes transformações, não apenas na forma de busca e utilização da informação, mas também no comportamento do utilizador, pois, o que se constituía mero usuário, passou a ser produtor de conteúdo e interagente.”

Esse novo aspecto da web 2.0, que instiga a produção de conteúdo, é fundamental para a ampliação de possibilidades para o conhecimento, entretanto, se os parâmetros qualitativos como o Qualis da Capes se apresentam como obsoletos para o volume produzido diuturnamente, é preciso que as instituições estejam atentas a essa mudança e se adequem à nova realidade. Uma das formas de alcançar esse fim é divulgar o que é produzido, dando ampla publicidade nas redes sociais, mas também promover o diálogo e tentar trazer para a discussão produtores de conhecimento não vinculados diretamente à academia.

Talvez a maior dificuldade de transposição dessa barreira não seja técnica, laboral ou orçamentária, mas sim moral. Essa é uma discussão que mais tem a ver com a realidade de nossos tempos, com o Ethos dos cientistas, que propriamente com os mecanismos de democratização do conhecimento.

Por fim, essa breve explanação pretende justificar a proposta aqui apresentada, qual seja, criar uma lista que será, permanentemente, atualizada com revistas científicas de história, para assim facilitar que historiadores e historiadoras possam consultar esses acervos, bem como acompanhar os processos seletivos para submissão de artigos nesses periódicos.

Toda ajuda será bem vinda! Esperamos que outras pessoas também mandem indicações para adicionar a essa publicação. Para adicionar outros periódicos a essa lista envie email para [email protected] com as seguintes informações: Nome do periódico, nome da instituição a que é vinculado e o link da revista.

Bibliografia:

BARATA, Rita de Cássia Barradas. Dez coisas que você deveria saber sobre o Qualis. RBPG, Brasília, v. 13, n. 1, janeiro/abril 2016. Acesso em: 02/06/2021. Disponível em: <https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/26/o/artigo_10_coisas.pdf>

VALÉRIO, Palmira Maria Caminha Moriconi. Periódicos científicos eletrônicos e novas perspectivas de comunicação e divulgação para a ciência. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), convênio UFRJ/ECO – CNPq/IBICT. Rio de Janeiro; 210 páginas; 2005.

VICENTE, Natalí Ilza. O uso do Twitter e Facebook para divulgação científica: um estudo netnográfico em perfis de bibliotecas universitárias federais do Sul do Brasil. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Gestão da Informação, Mestrado Profissional em Gestão de Unidades de Informação, da Universidade do Estado de Santa Catarina. Florianópolis; 186 páginas; 2015.

Lista de periódicos brasileiros especializados em história:

A lista disponibilizada não está organizada por ordem de relevância ou nota da Qualis. Os periódicos estão sendo adicionados em lista alfabética, ignorando a palavra “Revista” no início do nome, por exemplo: a Revista Acervo está na letra A, de Acervo.