HOpVest #10: Antigo Egito – Uma introdução

A Joia do Nilo

“Egito: dádiva do Nilo” – Heródoto Século V a.c

Introdução:

Entre as sociedades da antiguidade, não há dúvidas que o Egito é a que desperta mais curiosidade no público em geral, talvez apenas Grécia e Roma se equiparem. Não é por acaso! O Antigo Egito produziu uma cultura impressionante, obras de arte de valor inestimável, escrita, grandes construções e além disso deu contribuições importantíssimas para o conhecimento da matemática e astronomia.

É sem dúvida algo que merece bastante atenção. No entanto, precisamos fazer algumas considerações. A primeira delas é que a História do Egito, muitas vezes é levada ao público através da indústria cultural. Se por um lado isso ajuda a difundir um pouco dos rastros que aquela civilização deixou, por outro, a maior parte das informações são equivocadas. Não podemos deixar de observar que houve ao longo do tempo a difusão de um Antigo Egito imaginado, que não necessariamente corresponde ao que a ciência histórica diz.

O segundo ponto que precisamos enfatizar é que o Egito fica localizado no continente africano. É bom sempre destacar esse ponto, pois, não estamos falando apenas da sua localização geográfica, mas sim que houve deliberadamente um processo de desafricanização do Egito. No século XX, o Antigo Egito foi bastante representado muito mais próximo da Europa que da África, isso não é por acaso, é certo que o efeito da colonização europeia foi o fator primordial para essa prática. O embranquecimento de figuras como Cleópatra acabaram por contribuir com a negação da africanidade do Egito.

Cleopátra
Representação em Hieróglifo do Egito Antigo

 

"Cleópatra" filme de 1963
  Elizabeth Taylor interpreta a rainha do Egito no filme “Cleopátra” de 1963.

Um terceiro ponto que precisamos abordar é que além da cultura de massas, outra grande fonte de difusão de informações sobre o Egito é a religião cristã. Sabemos que a região da mesopotâmia é o berço do povo hebreu, este por sua vez, tem uma profunda ligação com a história egípcia. É preciso sempre lembrar que a interpretação do texto bíblico e a forma de difusão das escrituras sagradas para o cristianismo também se alteram com o tempo, logo, a visão que as mais diversas igrejas perpetuam sobre os egípcios é de um povo mau, que escravizou os hebreus até que houve a libertação daquele povo conduzidos por Moisés.

Por fim, precisamos perceber que o Egito tem uma história de cerca de 6 mil anos e acabamos fascinados por uma ínfima parcela dessa longa contribuição. O período que causa deslumbramento generalizado é precisamente aquele em que reforça um modelo de desenvolvimento que foi tomado pela Europa como o mais próximo do que se espera de uma civilização, tendo por modelo, obviamente, o desenvolvimento das sociedades europeias. Contudo, existe Egito antes e depois de seu contato com as sociedades mediterrâneas da Europa.

A Joia do Nilo: Egito no contexto das sociedades hidráulicas

No século V a.c o historiador grego Heródoto escreveu que “O Egito é uma dádiva do Nilo”. A expressão pode ser explicada pelas condições geográficas da região que possibilitaram o desenvolvimento de diversos grupamentos humanos, que ao longo de milênios, formaram uma grande civilização.

Contudo, o Egito enquanto uma sociedade nilótica também reservava parte de sua organização social em função das cheias do Rio Nilo. As cheias aconteciam periodicamente, e com mais regularidade que o evento similar nos Rios Tigre e Eufrates. Devido à alta concentração de matéria orgânica no Rio Nilo, no período das cheias sua margem ficava repleta de “húmus”, um fertilizante natural que possibilitava a agricultura em uma região majoritariamente castigada pela seca como a África e seus vastos desertos.

A produção agrícola era o pilar da sociedade e precisamente por isso a organização do trabalho era intrinsecamente ligada às cheias. A produção de papiro, por exemplo, era uma atividade bastante lucrativa e que envolvia um volume de trabalhadores muito grande, por isso, o Faraó e outras pessoas que compunham a administração egípcia tinham como uma de suas prioridades coordenar o trabalho agrícola.

A ampla maioria do povo era composta por camponeses que viviam da exploração da terra, mas não podemos nos esquecer que diversos trabalhos, sobretudo os mais pesados, eram executados por mão de obra escravizada.

O tempo histórico do Egito Antigo:

Imagem retirada do livro História – Sociedade & Cidadania de Alfredo Boulos Júnior

Pré-Dinástico: Período marcado pela sedentarização das sociedades nilóticas. O grande auge desse período foi a unificação do Alto e Baixo Egito com o Rei Menés.

Antigo Império: No começo foi um período de relativa estabilidade política, em que os nomarcas deviam grande obediência ao Faraó. Precisamente pelas dificuldades de manter boas relações com os nomarcas, diversas crises internas enfraqueceram o Egito, o que possibilitou um período de invasões que reduziu drasticamente o poder do faraó.

Médio Império: A cidade de Tebas reuniu condições para unificar novamente o Egito e dar um segundo momento de grande estabilidade e crescimento, contudo, o Egito foi invadido pelos Hicsos, que dominou a região por cerca de 170 anos.

Novo Império: Nesse período os Hicsos foram expulsos e o Egito garantiu um grande poder de guerra, o que possibilitou a dominação de vários povos, entre eles o Reino Kush. O fim do novo Império também se deu por disputas internas de poder que levaram a novas crises, que aos poucos enfraqueceu ainda mais o Egito. A partir de 525 a.c, com a invasão persa, o Egito se viu cair sob o domínio de diversas civilizações diferentes, e alcançou novamente sua autonomia política completa apenas em 1922 da era cristã.

Religião

A religião egípcia tem duas características que merecem atenção:

1- Era politeísta, e isso impactava em todo o governo, pois, as atividades regulares do cotidiano eram distribuídas entre os sacerdotes. Esses eram o círculo mais próximo do Faraó e estavam abaixo apenas dele na hierarquia social. A ideia de ser representante de algum deus conferia privilégios e responsabilidades na organização administrativa.

2- A vida após a morte era algo que os antigos egípcios acreditavam, contudo, o pós morten não tinha o mesmo significado de hoje. É muito importante notar que a crença na vida após a morte motivou diversas práticas, entra elas, e talvez a mais famosa, a mumificação.

 O legado do Egito:
Entre as diversas contribuições egípcias, podemos destacar:

Fundamentos da Aritmética

Geometria

Arquitetura

Calendário

Medicina

Sistema de escrita

Relógio

Papiro

 Conclusão:

Como apontamos, o esplendor do Egito não se limita às interpretações pouco concretas, elas foram construídas nos dois últimos séculos, em um profundo sentimento de eurocentrismo. Se quisermos conhecer a história daquela civilização, precisamos voltar nossos olhares para entender o que o Egito foi em seu próprio contexto, não apenas aquilo que o Ocidente moderno quis enxergar como glorioso.

1. (UFPEL RS/2016) – Sobre a organização política do Egito Antigo é correto afirmar que:

 
 
 
 
 

2. (UFT TO/2014) – A construção das pirâmides do Egito antigo ainda está envolta em mistérios e curiosidades, sendo fonte de estudos na História, na Engenharia, na Matemática e na Arte.

O processo de construção das pirâmides caracteriza-se pela:

 
 
 
 
 

3. (UNCISAL AL/2011)

No Egito Antigo, a mumificação do corpo de um morto era uma arte. O corpo passava por várias fases. Uma delas era a dessecação; para tanto, o cadáver era coberto com natrão e estendido sobre uma mesa por quarenta dias, onde perdia 75% de seu peso.

Para os egípcios, a mumificação relacionava-se à crença de que:

 
 
 
 
 

4. (UFRN/2010). Com a formação do Estado, no Egito Antigo,

“O faraó passou a concentrar todos os poderes em suas mãos, sendo cada vez mais considerado um deus vivo. Boa parte das terras passou a ser controlada por ele, a quem a população deveria pagar tributos e servir, por meio de trabalho compulsório. A personificação do Estado na figura do faraó e a sua identificação com um deus, permite-nos, portanto, falar em uma monarquia teocrática no Egito Antigo.”

VICENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História para o ensino médio: história geral e do Brasil: volume único. São Paulo: Scipione, 2001. p. 40.

Muitos Estados nacionais, no mundo contemporâneo ocidental, orientam-se pelo ideário laico e liberal-democrático, diferentemente do Estado organizado no antigo Egito, no qual predominava

 

 
 
 
 

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