HOpVest #3 – O que é Idade Moderna?

Antes de entrar nas discussões propriamente ditas do conteúdo referente ao segundo ano do Ensino Médio, precisamos fazer uma avaliação sobre o próprio conceito de modernidade.

O que geralmente entendemos como “moderno”?
A palavra tem uma carga semântica que nos remete a algo novo, atual, que supera seus antecessores.

E por quê precisamos discutir isso? Ora! Não é um acaso que nossa história seja, tradicionalmente, dividida em idade antiga, média, moderna e contemporânea. Vamos entender o porque disso.

Como se sabe, há uma ruptura profunda entre as práticas e instituições medievais e modernas. É um momento singular no Ocidente, pois, diversas transformações ocorreram, não só na Igreja, mas também na política, economia, cultura, comércio e arte. É uma mudança estrutural! Contudo, essa mudança não foi rápida, simples, muito menos pacífica.

Vocês aprenderam ao longo de seus estudos, que a Idade Média é um período que compreende cerca de 1000 anos, e que tem por característica central a formação e o declínio do Feudalismo. É bem verdade que a superação do feudalismo construiu um novo modelo na Europa, sobretudo sua porção mais central e mediterrânica, mas isso quer dizer “melhor”?

Aqui está o x da questão! A ideia de que havia uma oposição completa ao medievo no período moderno é um equívoco, porém, essa impressão não foi um acaso ou fatalidade, e sim uma construção. Os autointitulados “modernos” que qualificaram a Idade Média como a “Idade das Trevas” ou a “Noite de 1000 anos”. Assim o fizeram, precisamente para propor que sua visão de mundo era superior, e que as práticas medievais deveriam ser enterradas para assim, dar lugar a um novo mundo.

Essa ideia de “novo mundo” é um horizonte tão esperado na modernidade que a própria América se tornou alvo da ambição de um projeto de superação. Porém, se analisarmos diversos casos, podemos ver que a Idade Moderna patrocinou as maiores atrocidades vividas no Ocidente, a título de exemplo, podemos citar a escravidão, ou a inquisição (que foi muito mais aguda nesse período).

Então quando pensarmos em “Idade Moderna” é preciso ter em mente que a construção da modernidade é um projeto, nem melhor, nem pior, mas apenas fruto das mudanças próprias da história. Na condição de professor de história, tenho como dever e responsabilidade trazer a vocês a verdade, para tanto, precisamos recuperar os conceitos tais quais foram, não como se propagaram a partir de intencionalidades de alguns interessados.

1. Se numa conversa com homens medievais utilizássemos a expressão “Idade Média”, eles não teriam ideia do que estaríamos falando. Como todos os homens de todos os períodos históricos, eles viam-se na época contemporânea. De fato, falarmos em Idade Antiga ou Média representa uma rotulação a posteriori, uma satisfação da necessidade de se dar nome aos momentos passados. No caso do que chamamos de Idade Média, foi o século XVI que elaborou tal conceito. Ou melhor, tal preconceito, pois o termo expressava um desprezo indisfarçado em relação aos séculos localizados entre a Antiguidade Clássica e o próprio século XVI. Este se via como o renascimento da civilização greco-latina, e portanto tudo que estivera entre aqueles picos de criatividade artístico-literária (de seu próprio ponto de vista, é claro) não passara de um hiato, de um intervalo. Logo, de um tempo intermediário, de uma idade média.
(Hilário Franco Junior. A Idade Média: Nascimento do Ocidente, p. 9)

 
 
 
 
 

2.

As linhas de rumo que norteiam a reprodução do conhecimento relativo à Idade Média europeia estão ligadas à evolução das formas de governo, isto é, o governo temporal dos reinos e do império, e o governo espiritual/ temporal da Igreja. Prendem-se também à configuração dos grupos sociais, com particular ênfase nas relações de dominação entre senhores feudais e camponeses, ou então na formação e decadência do feudalismo e a germinação do capitalismo moderno.
(José Rivair Macedo, Repensando a Idade Média no ensino de História. In: Leandro Karnal (Org.), História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas)

 
 
 
 
 

3. SEE/SP 2011 – FCC – Professor II – História

O conhecimento histórico é sempre, de uma maneira ou de outra, uma consciência de si mesmo: ao estudar história de uma outra época, os homens não podem deixar de a comparar com o seu próprio tempo… (Arom Gurevich)
(In: Leandro Karnal (org). História na sala de aula: conceitos, prática e proposta. São Paulo: Contexto,2005, p.119)

De acordo com o texto, o estudo da forma de produção retratada nas figuras leva a uma comparação entre o camponês medieval, que vivia numa sociedade agrária e marcada por relações sociais baseadas na servidão, e

 

 
 
 
 
 

Questão 1 de 3