Tráfico de Drogas e Imperialismo – A Guerra do Ópio

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No segundo episódio, procuramos discutir as relações do Estado Nacional com o tráfico de drogas. A questão que se levanta é: o crime organizado, mais especificamente os cartéis de tráfico de droga são um poder paralelo ao Estado? Confira nossa contribuição sobre o tema. Qualquer dúvida ou consideração entre em contato!

Imperialismo, Liberalismo e Entorpecentes

A política proibicionista às drogas ganhou o mundo ao longo do século XX. Mesmo com o fracasso da proibição do álcool nos Estados Unidos da América, tantas outras drogas tiveram sua venda e consumo restringidos pelos poderes dos Estados e, sem sombra de dúvidas, isso não foi suficiente para desacelerar o poder destruidor que o uso desenfreado de drogas (lícitas ou ilícitas) tem causado. 

O que pretendemos discutir no segundo episódio do HOp é, precisamente, qual a relação entre Estado e comércio de drogas. Existe (e disso não resta dúvida) diversos traficantes de drogas que impulsionam seus negócios a partir da política institucional dos Estados; nesses casos, a política proibicionista, carregada de racismo e discriminação de todas as naturezas, coopera com o comércio ilícito de entorpecentes.

Sendo assim, a violência a que são submetidas populações marginalizadas não se justifica nem mesmo dentro da política proibicionista, na verdade apenas deixa explícito o recorte de classe e raça nas punições aplicadas a esse comércio. O Brasil conta com uma população carcerária de mais de 812 mil presidiários (em que pese, desses são mais de 60% negros e cerca de 75% com apenas o ensino fundamental completo), em que, a grande parte cumpre pena (ou está a espera de julgamento) em função do tráfico de drogas. 

É óbvio que discutir a distribuição de drogas é premente! Que é um comércio lucrativo não há dúvida! Que pode gerar arrecadação de impostos também não há!

Para além disso, devemos lembrar que em nome da liberdade econômica diversas atrocidades foram cometidas para a manutenção dessa atividade comercial, no entanto, qual o mecanismo de funcionamento de tal atividade e sobretudo, a quem interessa? É perceptível que a proibição falhou e falha recorrentemente, porém, o que ninguém se presta a discutir é que o uso de droga só se tornou um colapso social a partir da ascensão das relações comerciais, sociais e políticas do capitalismo europeu a partir do século XIX.

Diante essa realidade, nenhuma política proibicionista será suficiente para conter o caos social que a produção, uso e comércio geram, a não ser que discutamos o uso de entorpecentes de maneira racional e construindo um debate que proporcione uma mudança sistêmica.