História Oral – O que é História?

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Nesse primeiro episódio responderemos a pergunta “O que é história?”. Uma das grandes dificuldades em se falar em história é que a maioria das pessoas não sabe o que é e qual a função da ciência histórica. Venha conferir esse podcast que traz ao debate Marc Bloch, Hayden White e Carlo Ginzburg. Ouça, curta, compartilhe e, principalmente, mande suas sugestões e críticas para nosso email.

O que é história?

Quando entramos em sala de aula, em um debate ou até mesmo em uma breve conversa despretensiosa sobre história é muito comum historiadores se depararem com interlocutores que não sabem, minimamente, que tipo de conhecimento ela busca, qual seu objeto de estudo e qual a metodologia desse campo do conhecimento.

É frustrante pensar que mesmo com tantos profissionais em atividade em escolas públicas e privadas, mesmo com a reconhecida importância dessa ciência para as sociedades humanas, ainda assim há pouca precisão em conceituar a palavra história. No primeiro episódio do História Oral podcast (HOp) a proposta foi tentar responder a essa questão de maneira que nossos ouvintes possam se sentir seguros em classificar que uma afirmação (ou narrativa) é histórica ou não.

Partimos do pressuposto que a atividade historiográfica (a escrita da história) parte de um lugar e de um tempo, esse binômio (espaço/tempo) não pode ser desprezado e muito menos ignorado, pois, é a partir dele que o conhecimento histórico será construído. Caso a história fosse um dado pronto da realidade, o ofício do historiador e da historiadora estava fadado ao fim e apesar da história ser, indubitavelmente, tributária do tempo, a história não estuda o passado, menos ainda o presente, tampouco o futuro. A relação da história com o tempo se dá em seu espaço de produção: ou seja, do presente, tentamos apreender as mudanças, permanências e alterações na trajetória humana no transcuro do tempo.

E para além da produção de narrativas, o ofício das historiadoras e dos historiadores cumpre o importante papel de não deixar que a memória coletiva das mais diversas sociedades seja manipulada, enganada, distorcida ou vilipendiada por interesses de um indivíduo ou de um grupo. A prática de vida de diversos e diversas historiadores é a garantia do comprometimento deles e delas em assegurar que a verdade seja o único fim de seu ofício. Para tanto, trouxemos uma experiência de vida marcante no século XX, Marc Bloch.

Historiador francês, fundador da Revista de Annalles (e por consequência disso também fundador da Escola de Annalles) e comandante dos franco atiradores da resistência anti nazifascista durante a segunda guerra mundial, foi preso e morto no campo de concentração de Lyon na França, quando aquele país estava dominado pelas tropas alemãs. A experiência de vida de Marc Bloch não o permitiu manter-se na clausura intelectual (a torre de marfim dos acadêmicos), não se exilou, ao contrário, tomou parte de seu tempo e consciente de sua responsabilidade enquanto agente e sujeito histórico, morreu para defender aquilo que acreditava.

Nas atitudes e nas palavras, Marc Bloch mostrou que o dever dos historiadores e das historiadoras é uma completa submissão à verdade, ao ponto de entregar sua própria vida para defendê-la. Diferente de tantos outros, Marc Bloch se comprometeu com seu tempo e fez de suas atitudes o documento essencial para entendermos suas palavras. Seu último livro (incompleto) foi escrito no cárcere, em resposta à pergunta de seu filho Etienne Bloch “Pai, qual sua profissão?” Suas últimas palavras reafirmaram sua completa entrega à defesa desta ciência que tem como primeira preocupação buscar a verdade sobre a experiência humana ao longo do tempo.