Porque devemos discutir a cor de Jesus Cristo?

A imagem representada de Jesus Cristo suscita muitos debates. Não por menos! Estamos falando de uma personagem fundamental para a consolidação da cultura ocidental.

É importante problematizarmos essa questão?

Claro! Afinal, o eurocentrismo se impõe não somente pela força das armas, quando exporta o flagelo da guerra ao resto do mundo, mas também através da dominação cultural. E a apropriação da imagem de um Cristo loiro dos olhos azuis faz parte disso.

A origem da representação atual

O “Cristo Hollywood” começa a ser moldado no período medieval, esse caráter deificado das representações iconográficas, surge no Império Bizantino, aproximando a representação de Cristo ao de grandes reis ou imperadores da Europa. Alguém invencível, mais uma representação divina, que propriamente humana.

A proximidade étnica dos traços com os povos europeus, estava ligada ao que esses povos consideravam mais à sua semelhança, porém, esse não é um fenômeno exclusivo da Europa, por exemplo, foram registradas imagens com olhos puxados em Macau, na China.

O que podemos atestar, é que para Bizâncio, pouco importava a real aparência de Cristo, mas sim dar a ele um semblante sagrado e indestrutível.

Contudo, a partir do século XIV, a Igreja Católica, aliada a interesses mercantis trouxe ao mundo a mazela da colonização. Essa perversidade contou largamente com a imagem do Cristo europeu para fazer valer a pretensa superioridade racial sobre os demais povos. A invenção da raça contou com a aliança entre força bruta e a construção iconográfica de Cristo, e ainda hoje parece inaceitável para muitas e muitos que Jesus não tenha sido branco. Essa afirmação chega a ser uma ofensa para alguns.

A Bíblia não menciona as características físicas de JC, mas por diversos ingredientes históricos, podemos afirmar, precisamente, que o “Filho de Deus” se parecia muito mais com um beduíno do deserto, com olhos castanhos, cabelos pretos e a pele bem mais escura que a de um europeu.

A perpetuação do Jesus europeu (desde a colonização) cumpre um papel que vai além do impulso de representar um mundo próximo ao que se enxerga (como os primeiros cristãos), mas sim reforçar a ideia de superioridade racial europeia