Como o aquecimento global pode ser responsável pela próxima pandemia?

Uma das conspirações mais populares, compradas principalmente por senhores de meia-idade, jovens conservadores e anarcocapitalistas de internet é a “farsa” do aquecimento global, que segundo os mesmos é, assim como outros fatos científicos, só mais uma da série de mentiras reproduzidas pela mídia e comunidade acadêmica. E antes fosse, o aquecimento global é um problema real que acelera exponencialmente e coloca em alerta todos os setores envolvidos, perpassando a pauta ambiental e atingindo em cheio a economia e até mesmo a saúde.

 Mas antes, é necessário que entendamos o que é exatamente e o que forma esse fenômeno,  o aquecimento global parte, a priori, de um evento natural dentro da atmosfera terrestre chamado efeito estufa, esse efeito se constrói a partir do momento em que os raios solares ultrapassam a atmosfera sem interagir com os gases presentes nela em um primeiro momento, ao atingir a superfície terrestre, parte da energia é absorvida e a outra refletida, a energia refletida tem seu comprimento de onda alterado após tocar o solo e segue refletida como radiação infravermelha, essa nova estrutura de onda interage em parte com os gases presentes na atmosfera (principalmente carbono) onde parte da energia sai da atmosfera enquanto uma porção menor é novamente refletida para a superfície.

O efeito estufa é fundamental para a existência da vida terrestre como a conhecemos, é graças a esse efeito que a temperatura média da terra fica entorno de 15°C, sem esse efeito a temperatura do planeta seria pelo menos 33°C menor, ou seja -18°C, inviabilizando a vida. Apesar da sua importância primordial, os adventos que a sociedade capitalista desencadeou com a mercantilização da natureza na criação e aprimoramento da indústria, acelerou esse processo natural, ultrapassando em muito os parâmetros aceitáveis causada por toda cadeia de consumo desenvolvida baseada na agricultura de larga escala, pecuária e alto consumo de combustíveis fosseis em todo o globo, aumentando de forma cada vez mais espantosa o risco de um colapso ambiental pelo crescente volume de gases. Com o excesso de radiação dentro da atmosfera, os padrões climáticos ficam cada vez mais instáveis, e a incidência de desastres naturais sobem, diminuindo ao mesmo tempo suas previsibilidades.

Além disso, um dos principais pontos discutidos por pesquisadores sérios dentro do tema é o aumento da temperatura média do planeta, essas mudanças climatológicas estruturais aos poucos vão alterando completamente a paisagem de variados domínios morfoclimáticos e possui a possibilidade de destruí-los completamente um dia, diretamente relacionado a essa questão, temos o derretimentos das geleiras e calotas polares, essas que talvez possam ser a grande caixa de pandora dos nossos tempos. Em 2016 em uma região da Sibéria chamada Península Iamal no Círculo Ártico, cerca de 20 pessoas, dentre elas uma criança de 12 anos, foram infectadas por antraz, uma doença raríssima e quase sempre fatal, a teoria mais aceita é que esse fato se deu pelo derretimento de uma camada superficial do permafrost da região, que teria exposto a carcaça de um animal infectado que havia sido congelado dentre solo e gelo a mais de 75 anos!

Está não foi a primeira vez que uma bactéria congelada conseguiu voltar a vida, um dos receios agora que vem aumentando com a pandemia do coronavirus, e pela falta de ações que visem um consenso climático maior e eficiente, é justamente que em breve, graças ao aquecimento global, nós tenhamos que lidar novamente com doenças até então controladas ou até mesmo esquecidas, ou talvez pior que isso, tenhamos que lidar com microrganismos, vírus e bactérias, novamente, desconhecidas.