Cadeira Elétrica e Pena de Morte

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A Pena de Morte é um tema que causa bastante discussão e movimenta intensos sentimentos. Pretendemos no Episódio 11 levantar algumas reflexões importantes para discutir a questão. Para tanto, tomamos por objeto a aplicação da pena capital nos Estados Unidos da América e, principalmente, o uso de uma máquina de matar cruel como a cadeira elétrica.

O Episódio 11 – Cadeira Elétrica e Pena de Morte foi produzido por Arnaldo de Castro, Daniel Fernandes, Arthur Silvério e Lev (Camarada Gringo). A Narração conta com a participação de Allan Mendes e Lev (Camarada Gringo). 

A justificativa central da aplicação da execução é que a pena deve ser proporcional ao crime cometido. Sendo assim, crimes cruéis como assassinatos com requintes de crueldade tem suporte legal para a condenação máxima em vários estados em que a pena de morte é permitida. Contudo, a função social que a cadeira elétrica cumpre vai muito além da justiça, ela se apresenta como um símbolo de terror adotado pelo Estado e todo um amplo sistema de perpetração de atrocidades foi montado para sustentar a sua manutenção.

Um dos exemplos da cadeira elétrica como símbolo de terrorismo de Estado é o uso da “Old Sparky” como estátua no estado da Georgia. Como nos relatou o Camarada Gringo, assim como vemos bustos e estátuas nas praças, a primeira cadeira elétrica daquele estado, depois de aposentada, foi colocada à mostra na prisão em um exercício cristalino de manutenção da memória coletiva através de recursos visuais.

O mais importante nessa discussão é entendermos que a cadeira elétrica não é um símbolo da aplicação da justiça, mas sim um elemento de controle social, que reproduz a lógica de extermínio e opressão daqueles e daquelas marginalizados pelo sistema. Ali são massacrados corpos e vidas, boa parte pobres e pretos. Em uma entrevista em 1970, Jesse Tafero (condenado ao corredor da morte mesmo sendo inocente do crime que foi acusado) já afirmava que se você for pobre, preto ou parte de alguma minoria, as chances de você fritar na cadeira elétrica são altas, pois, aqueles e aquelas que tem condições de pagar bons advogados ficam longe do corredor da morte.

Vivemos um momento conturbado, em que a indignação generalizada abriu espaço para a implementação das mais diversas atrocidades como política de Estado. Nos EUA, a prática da execução se intensificou, e em 2020 a Suprema Corte de Justiça retomou as autorizações para aplicação da pena capital pelo governo federal depois de 17 anos (nada que cause surpresa, já que Donald Trump é um profundo defensor e propagandista da pena de morte).

O apoio à pena de morte vem caindo nos EUA, e na contramão da conscientização da população em relação ao tema, a elite política, sobretudo no partido republicano, luta pela manutenção e aprofundamento da prática, ainda que um número alto de executados sejam posteriormente declarados inocentes.

O argumento punitivista (An Eye for an Eye, a Tooth for a Tooth) que sacia a ânsia sanguinolenta de parte da população dos EUA é cada vez menos capaz de esconder a realidade da aplicação de execuções cruéis:a cadeira elétrica é o trono da morte para os indesejados e indesejadas e muitas vezes a motivação da condenação é a cor, etnia, crença ou ideologia do condenado.  

 

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