Green New Deal e Ecossocialismo

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A Tese Onze de Michael Lowy, lançada em 06/02/2020, abre espaço para uma discussão que muito interessa ao mundo: o Green New Deal é uma possibilidade real para reformular nossa relação com o meio ambiente, a partir de uma revolucionária mudança no padrão de desenvolvimento? Para discutir essa questão, convidamos o @CamaradaGringo para uma conversa sobre o Green New Deal e o renascimento da esquerda no Estados Unidos da América.

Tese Onze de Michael Lowy, Green New Deal e Ecossocialismo

A Tese Onze de Michael Lowy, lançada no dia 06 de fevereiro de 2020, levanta uma importante discussão para a esquerda e que é relevante mundialmente: quais as possibilidades e potencialidades do Green New Deal? Ele coloca a proposta abraçada por Bernie Sanders (candidato que concorre nas primárias pela vaga do Partido Democrata para as eleições majoritárias de 2020 nos Estados Unidos da América) como uma oportunidade de estabelecermos uma luta ambiental distinta da que foi travada pelas principais potencias até então.

O que chama atenção de Lowy é que ele não enxerga o Green New Deal como um “capitalismo verde”, mas sim um instrumento de luta para a contestação do modelo capitalista. É um erro pensarmos que o modo de produção capitalista pode ser reformado e pior, não temos tempo para esperar que a consciência de classe, aliada a uma consciência ambiental, aconteça por casuísmo do destino. O momento é aqui e agora! Ou abraçamos a defesa do meio ambiente, com justiça social e questionamento do consumo desmedido, ou corremos o risco de tornarmos nosso planeta nocivo aos seres humanos em um século ou menos. O socialismo, nesse momento, não é uma escolha, mas sim uma necessidade vital para a espécie humana.

É interessante notarmos que há muito tempo coisas semelhantes são ditas nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, sobretudo, na América Latina e de Mariáthegui ao Exército Zapatista de Libertação Nacional, as grandes expressões revolucionárias latino americanas são, em boa medida, ecossocialistas. Essa parte do planeta tem as maiores riquezas naturais preservadas, povos originários resistentes ao extermínio e uma sede por justiça social incomparável. A devastação ambiental ainda não destruiu por completo nossas matas, rios e ecossistemas, ainda não! É nessa perspectiva que o Green New Deal pode ser um diferencial. A Queda do Céu pode ser evitada, ainda há tempo (para fazer referência a mais importante obra produzida no século XXI em defesa do meio ambiente).

Da Índia, Vandana Shiva nos apresenta soluções concretas para lutar pela segurança alimentar e nutricional, mas isso exige também uma profunda reformulação das relações das comunidades locais com o império da destruição capitalista e suas monoculturas. É preciso uma Revolução Política (como a campanha de Bernie sugere) para que as rodas do desenvolvimento a qualquer preço (enriquecimento dos já mais ricos) não atropelem a existência da vida na terra, por isso, devemos resgatar nossos saberes e tradições, “ensimesmarmos” socialmente e criar estratégias para rompermos as “Monoculturas da mente” impostas pelo colonialismo norte americano/europeu.

A hora é agora e a campanha de Bernie Sanders já se mostra um fenômeno singular quando percebemos que há uma ampla adesão ao projeto do Green New Deal dentro da maior potência capitalista e consequentemente, aquela que mais destrói o planeta. Todas as tentativas de recrudescimento da emissão de gases e as agendas neoliberais nos acordos internacionais falharam, os partidos verdes se tornaram verdadeiras piadas; No México, o Subcomandante Marcos classificou Manoel Velasco do PVEM como “empregado de um negócio que nem é partido, nem é verde, nem é ecologista, nem é do México”. Muito dessa derrocada do capitalismo verde se deu pela recusa dos Estados Unidos da América em aceitar, assinar e cumprir acordos pela preservação do nosso planeta, já que há uma dependência umbilical entre capitalismo e destruição da natureza.

O Green New Deal é esse tapete vermelho estendido ao ecossocialismo dentro dos EUA, um momento único em que diversas vozes dentro daquela nação se uniram para questionar o modo de produção capitalista, o esmagamento da qualidade de vida da classe trabalhadora e a devastação do meio ambiente para sustentar a riqueza e os privilégios de 1% da população do planeta terra.

Repito: a hora é agora!

Davi Kopenawa profecia em tom desesperador aquilo que os negacionistas tentam esconder, é um “recado da mata” ao “povo da mercadoria”: “A floresta está viva. Só vai morrer se os brancos insistirem em destruí-la. Se conseguirem, os rios vão desaparecer debaixo da terra, o chão vai se desfazer, as árvores vão murchar e as pedras vão rachar no calor. A terra ressecada ficará vazia e silenciosa. Os espíritos Xapiri, que descem das montanhas para brincar na floresta e seus espelhos, fugirão para muito longe. Seus pais, os Xamãs, não poderão mais chama-los e fazê-los dançar para nos proteger. Não serão capazes de espantar as fumaças de epidemia que nos devoram. Não conseguirão mais conter os seres maléficos, que transformarão a floresta num caos. Então morreremos, um atrás do outro, tanto os brancos quanto nós. Todos os Xamãs vão acabar morrendo. Quando não houver mais nenhum deles vivo para sustentar o céu, ele vai desabar.”

É prudente que ouçamos o clamor Yanomami…

Ou o ecossocialismo, ou a extinção!

Link em inglês das teses:

13-theses on the imminent ecological catastrophe and the revolutionary means of averting it

Link em português das teses:

Treze teses sobre a catástrofe ecológica iminente e os meios (revolucionários) de evitá-la

Green New Deal

Proposta enviada ao Congresso dos EUA por Alexandria Ocasio-Cortez e Ed Markey

Extras da tradução

A Class Struggle Strategy for A Green New Deal

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